DO CÉU AO INFERNO EM 16 MINUTOS..!

Bastaram 16 mn para a equipa do Clube Naval Setubalense deixasse de sonhar, uma vez mais, com o apuramento para os Nacionais da modalidades.
Pelo 5.º ano, consecutivo, este lote de jogadores "morrem na praia", não se percebendo, muito bem o que lhes falta para atingirem os seus objectivos.
Não poderia começar da melhor forma, para a equipa do Naval, o jogo decisivo que opunha a equipa setubalense à equipa do Estremoz, uma vez que, bastante cedo, se adiantou no marcador com golos de Valter Piedade (3 mn) e João Franco (9 mn).
Tudo parecia simples. A equipa trocava bem a bola, impunha um ritmo agressivo e defendia em bloco, não dando quaisquer hipóteses à equipa alentejana que nos pareceu surpreendida pelo hóquei praticado pelo seu adversário.

Todavia, e há semelhança de outros jogos, a equipa setubalense, não conseguiu manter esta forma de jogar durante muito tempo, começou a abusar das jogadas individuais, sobretudo o seu jogador Kiko, deixando de funcionar em bloco e perdendo várias oportunidades de golo, em jogadas de dois para um.
Disto se aproveitou a equipa do Estremoz que soube esperar. Nunca se desorientou e lentamente foi tomando conta do jogo.
Quando aos 16 mn de jogo o seu capitão Filipe Carrapeta, aproveitou da melhor forma uma perda de bola por parte da equipa do Naval, reduzindo a desvantagem, pairou no ar a sensação que "a história ia repetir-se", ou seja: a equipa setubalense iria "morrer na praia" mais uma vez.
O sonho estava ali tão perto, contudo ainda faltavam 24 mn. Muito tempo em Hóquei em Patins.
No pavilhão, esperava-se, ansiosamente, pelo intervalo, contudo aquilo que mais se temia acabou por acontecer, o Estremoz voltou a marcar, empatando assim a partida, quando faltavam apenas 1 minuto e meio para o descanso.

As equipas saíram para o descanso empatadas a duas bolas. Resultado que servia os objectivos das duas formações, bastava ganhar o ultimo jogo, teoricamente, com equipas mais fracas.
Mais que a "afinação" da táctica para a segunda parte, pedia-se à equipa setubalense um reforço psicológico e mostrar a todos os seus jogadores que mais importante que marcar golos era não sofre-los, era ter paciência, era ter a noção que estavam a jogar um apuramento e que o resultado, até então, jogava, ainda, a seu favor.
Mas nada disto aconteceu, a equipa voltou do descanso ainda mais nervosa, cometendo erros defensivos primários e voltando a "cair" nas jogadas individuais, com remates de meia distância quando ao lado tinham um colega mais bem posicionado para obter o êxito tão desejado.
Disto se aproveitou a equipa alentejana que calmamente fez o seu terceiro golo, quando estavam decorridos 3 mn e meio da segunda parte, voltando a aumentar a vantagem 2 mn depois.
Tudo parecia perdido para a equipa do Naval, até porque a equipa não se encontrava e, sempre que criava alguma oportunidade de golo ou os seus jogadores falhavam ou o guarda-redes adversário dizia "presente".
Num ultimo esforço, a equipa setubalense ainda viria a reduzir a desvantagem para 3 - 4, através de um remate à entrada da área, do seu jogador Valter Piedade (6,28"), A esperança voltou ao Pavilhão do Naval, tanto mais que ainda faltavam muito tempo para se jogar.
O cansaço físico e psicológico era notório nos jogadores setubalenses, contudo, honra lhes seja feita, nunca viraram a "cara à luta" e quando aos 10 mn da segunda parte o seu jogador Diogo Rafael foi derrubado dentro da área e o árbitro mandou marcar um livre directo, pediu-se que, finalmente, a equipa voltasse a acreditar.
Kiko foi o escolhido para bater o livre directo, contudo não conseguiu bater o guarda-redes alentejano, rematando forte mas à figura do n.º 1 de Estremoz.
Este lance "acordou" a equipa da casa, que em apenas 1 mn criou 2 grandes oportunidades de golo. Diogo Rafael aos 8,58" e 8,10" teve no stick duas oportunidades soberbas de empatar a partida, contudo faltou-lhe a frieza necessária para desfeitear o guarda redes, que nesta altura mostrava porque era um dos melhores jogadores em campo.

A 1,30" do termo da partida, o inconformado Valter Piedade, voltou a aproveitar a sua meia distância e enviou a bola ao ferro, quando todo o pavilhão gritava golo.
A partir deste lance Hilário Tomás mandou avançar dois dos seus jogadores para a área contrária. Era o tudo o nada da equipa setubalense.
E foi, sem dúvida, o nada, uma vez que a equipa alentejana aproveitou da melhor forma esta descaracterização da equipa do Naval, voltando a marcar por mais 2 vezes (19,30" e 19,43"), Fazendo assim o resultado final.
Arbitragem com pequenos erros mas que em nada influenciou o resultado do jogo.